Papa Francisco dedica as intenções de oração universal do mês de agosto ao mundo do mar

Papa Francisco dedica as intenções de oração universal do mês de agosto ao mundo do mar

 

O Papa Francisco dedicou suas intenções de oração universal no mês de agosto, com início neste sábado, ao mundo do mar e às pessoas que trabalham e vivem dele: pescadores, marinheiros, trabalhadores de transporte aquaviário, etc. Na Igreja no Brasil, existem duas ações voltadas para este campo: a Pastoral dos Pescadores e o Apostolado do Mar.

O bispo de Brejo (MA) e referencial da Pastoral dos Pescadores pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom José Valdeci Santos Mendes,  chama a atenção para a realidade dos pescadores, sobretudo dos pescadores artesanais. “Os pescadores e pescadoras artesanais têm o mar como um território de onde tiram o seu sustento. É necessário defender o seu direito ao território e não deixar que a pesca industrial tome conta”, defendeu. Segundo ele, a maior parte dos pescados que são consumidos provém da pesca artesanal.

A secretária executiva da Pastoral dos Pescadores, Ormezita Barboza de Paulo, disse que a Pastoral se junta, neste mês de agosto, ao Santo Padre nesta corrente de oração. “O mar abriga e acolhe centenas de milhares de trabalhadores no mundo todo, pessoas que têm sua vida marcada pelo balanço do mar e das águas. A realidade deste povo é marcada  por muitos desafios”, disse.

Uma dos problemas enfrentados pelos trabalhadores do mar, conforme Ormezita, é a exposição destes à exaustivas cargas de trabalho, até mesmo com situações análogas ao trabalho escravo. Segundo ela, os pescadores artesanais enfrentam muitos conflitos territoriais que colocam em risco suas vidas e a segurança de suas comunidades.

“Pedimos proteção a estas pessoas e também enviamos uma mensagem de esperança e de fé. Reconhecemos sua importância para a economia no mundo todo. A gente se junta às intenções do Papa, pedindo fortaleza, resistência, esperança e tempos melhores para todos nós e para estes trabalhadores. Que suas lutas e bandeiras sejam reconhecidas”, pediu.

Outro trabalho da Igreja no Brasil que tem relação com o mar é o Apostolado do Mar. O padre colombiano Samuel Fonseca Torres, missionário Scalabriano que desde 2001 atua no Brasil, atualmente é diretor nacional do Apostolado do Mar e capelão do Porto de Santos. Segundo o padre, o Apostolado do Mar tem uma sede no Vaticano e está organizado em 9 regiões no mundo. Em cada país, a organização conta com bispos promotores, diretores nacionais e os capelães voluntários e voluntárias do Apostolado do Mar. O padre Samuel representa o Apostolado do Mar do Brasil junto ao Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano  Integral do Vaticano.

No Brasil existem três missões Stella Maris, uma no Rio de Janeiro, outra no Rio Grande do Sul e a de Santos. O Apostolado do Mar tem como público alvo os marinheiros, pescadores, trabalhadores, estivadores e todas as pessoas que vivem do mar. O bispo promotor do Apostolado do Mar é o bispo emérito dom Jacyr Francisco Braido, de Santos.

Desde 2002, no 21º Congresso do Apostolado do Mar, no Rio de Janeiro, o padre Samuel foi escolhido para ser o coordenador nacional e regional para a América Latina e Caribe. “Na minha opinião isso não é um privilégio, ao contrário é um desafio em função de atuarmos numa região muita extensa”, disse. Ele chama a atenção para o fato de no Brasil ter poucos capelães, padres disponíveis e ainda poucos bispos que apoiam a causa do Apostolado do Mar.

Neste tempo que está no Brasil, o diretor nacional do Apostolado do Mar atuou como capelão em dois lugares. Por sete anos na Stella Maris do Rio de Janeiro, na paróquias Santa Cecília e São Pio X. Depois, mudou-se em 2007 para Santos (SP) onde exerce as mesmas funções. “O trabalho aqui se multiplicou nos últimos anos. Santos é o principal Porto de exportação e importação da América Latina e do Brasil”, disse.

O padre afirma que dentro do contexto da pandemia, são grande as dificuldades dos pescadores, sobretudo dos pescadores artesanais. “Muitos dos pescadores perderam seus empregos e estão com dificuldades de manter suas embarcações.  Praticamente estão à deriva. Algo parecido como quando vem uma tempestade e leva o barco de seu pescador. Não existe nenhum programa governamental para apoiá-los”, disse. O padre informa que a Stella Maris de Santos está ajudando, com cestas básicas, 150 famílias por quatro meses.

 

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