A obra, tema do artigo do padre Charles Borg

Santificar é transformar! Mudar para melhor. O Espírito é santo porque carrega uma infinita energia transformadora. Esta verdade perpassa todo o Livro Sagrado. Nas origens, o Espírito de Deus paira sobre o caos e transforma a desordem em ordem e a indefinição em harmonia. As subsequentes paginas sagradas atestam a ação transformadora do Espírito de Deus, culminando na encarnação do Filho de Deus no ventre de Maria. Gerado pela ação do Espírito de Deus, Jesus Cristo vive uma teofania transformadora justamente no início de sua jornada missionária. Ao submeter-se ao batismo de João Batista, se vê revestido do Espírito de Deus e declarado Filho amado.

A partir deste momento, a vida do nazareno toma novo rumo. Antes desconhecido, Jesus inicia sua peregrinação pela Palestina fazendo o bem por onde andasse e pregando uma nova civilização fundada na radical caridade pelo semelhante. Amando até o fim, o Filho de Maria submete-se livremente à morte para desmascarar a hipocrisia dos valores mundanos que clamam por paz, mas não suportam quem ouse propor um convívio fraterno fundado na justiça e no respeito. Ressurgindo vitorioso sobre a mentira humana, Jesus confirma a transcendência de sua verdade e comissiona seus discípulos a levaram até os confins da terra a salutar mensagem. Não sem antes, todavia, revesti-los do mesmo Espírito que animava sua jornada. Cheio do Espírito transformador, aquele minúsculo e humanamente despreparado grupo faz a boa notícia alcançar todos os cantos da terra. Dá-se uma impressionante explosão missionária!

O Evangelho tem tudo para não lograr sucesso, segundo critérios humanos. Seu êxito confirma, pois, que quando se age sob a orientação do Espírito de Jesus as propostas divinas vingam. O eterno amor do Pai, partilhado com o Filho encarnado é distribuído integral e perenemente entre os seguidores. Cada discípulo é revestido com o mesmo Espírito transformador que animou o Cristo. É próprio ao amor ser dinâmico. Quando, então, este amor é divino só pode produzir maravilhas!

Leitura atenta do sagrado livro induz a compreender a logística da ação do Espírito de Deus! Emerge como fato curioso, preponderante e didático, a preferência por agentes humanamente insignificantes. Encurtando a longa lista de personagens, foca-se na escolha de Maria e de José como casal responsável pela guarda do infante Filho de Deus. Tanto a mãe como o pai adotivo não passam de simples cidadãos, morando numa marginal aldeia da região da Galileia, motivo de chacota entre os próprios judeus, inclusive.

O próprio Cristo escolhe como líder do grupo a levar a boa notícia da nova civilização do amor, um pescador impulsivo e convencido, que falha miseravelmente quando posto à prova. O denominador comum entre estes cidadãos ordinários é que acolhem o Espírito de Deus em suas vidas. Ao permitir que o Amor Eterno agisse neles, experimentam uma radical transformação em suas vidas. Revestidos deste Divino Amor, deixam, naturalmente, de viver apenas para si e se transformam em apaixonados servidores da humanidade. Enredo este que se repete ao longo da história do cristianismo. Pela sua íntima constituição, a comunidade dos discípulos, isto é, cada seguidor, reconhece-se dinâmico, revestido de divina energia. O Espírito transforma e comunica vida nova àqueles em quem habita. Acolhido, o Espírito empurra sempre pra frente, mas sem agitação, espalhafato ou ruídos sensacionalistas. Reprimido, porém, estagna.

Salta a redentora alerta de Deus para uma comunidade de discípulos revestida do Amor que vem do alto. A humanidade, ferida por bravatas arrogantes e desorientada por pretensões megalomaníacas, clama por redenção. Urge acolher o Amor divino! Urge encher-se da valentia que emana do Espírito Santo e levar a cabo a obra redentora que Jesus começou!

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