Padre Charles Borg escreve artigo por ocasião do Dia do Padre

Sacerdócio é vocação! Vocação envolve missão. Missão é compromisso com um ideal a ser vivido. No sacerdócio, o ideal é o mesmo entregue por Jesus aos apóstolos antes de ele voltar para a casa do Pai: sair pelo mundo levar o Evangelho a toda criatura! E a boa notícia é que em Jesus Cristo, e somente nele, o ser humano encontra sua plena realização. Atrair pessoas a Jesus, elevando-as a seguidoras, praticantes dos princípios anunciados por ele, implantaria um novo jeito de viver.
Em uma palavra: fazer o reino de Deus acontecer. Sublime missão que só pode ser assumida como ideal de vida, canalizando energias e capacitações. Quem abraça um ideal como vocação entende que o comprometimento é total. Perpétuo e envolvente. De outro modo não seria vocação, mas ofício, demarcado por horário e tarefas. Quando confirmou Pedro em sua missão de pastor dos irmãos, Jesus dirigiu-lhe uma frase impactante. Disse-lhe que quando jovem ele próprio determinava sua agenda, mas chegaria um tempo quando outro lhe cingiria os rins e lhe indicaria o destino a seguir. Precisas palavras que resumem a missão: não é o sacerdote que organiza sua agenda, mas são as circunstâncias e as necessidades das pessoas que determinam as atividades a serem realizadas. Sacerdotes sabem da verdade e do impacto deste comprometimento. Inúmeras vezes modificam agendas para atender urgências e imprevistos. Sacerdote vocacionado não faz o que quer, mas o que é preciso, mesmo que não queira ou não goste.
Tal missão repousa em um pressuposto fundamental: aderir firmemente, de corpo, alma e sentimento, a Jesus Cristo. Somente uma fé inabalável no Senhor e um amor apaixonado por ele são capazes de sustentar o sacerdote em sua vocação. A comunhão com Jesus induz, naturalmente, a cultivar os mesmos sentimentos de Cristo. Assumir como próprio o ardente desejo de Jesus de ver a humanidade salva, liberta, curada. O vocacionado se identifica com a causa. A missão deixa de ser projeto estranho para fazer parte da própria identidade do vocacionado. Esta paixão mantém o sacerdote ativo, empenhado, vivendo em uma espécie de paz inquieta. Pois, ao mesmo tempo em que reconhece que a caridade de Cristo o impele, gerando interna cobrança quanto ao que pode fazer mais e melhor, entende, todavia, que é apenas um servidor aplicado.
Cabe a ele semear sempre, confiante que quem faz a semente crescer e germinar é o próprio Mestre. Esta convicção desatrela o sacerdote da angústia da produção. Seus serviços não são avaliados por resultados contábeis. Mesmo pressionado, ele trabalha livre, sereno e alegre. Zeloso preferencialmente em manter viva a comunhão com o Mestre. Sem oração intensa não é possível viver como sacerdote.
O auge da experiência existencial com o Cristo Jesus se dá na celebração da Eucaristia. Nesta liturgia, o sacerdote vive a plenitude da sua vocação de intercessor do povo perante Deus e de intermediário de Deus perante os homens. Eleva as preces e angústias da sua comunidade ao Eterno e ministra as graças divinas sobre o povo. Na celebração da Eucaristia, o Evangelho – a salvação por Cristo, com Cristo e em Cristo – acontece de maneira experiencial. Por meio de uma catequese constante, o sacerdote busca conscientizar sua grei que a comunhão com Cristo envolve mudança de atitudes, particularmente nos relacionamentos fraternos. Afinal, não se pode comungar o Corpo de Cristo sem, simultaneamente, comungar sua Palavra, sem estar intimamente configurado pelo amor fraterno. Celebrada em sua mística perspectiva, a Eucaristia se compara ao monte Tabor, onde o Cristo é visto de maneira diferente. Continua o mesmo, a maneira de enxerga-lo, todavia, transforma!
Sacerdócio não é função. Não é emprego. É vocação. Consagrado a Cristo, o sacerdote é também servidor dedicado aos irmãos. Empenhado em construir o reino de Deus, edifica simultaneamente, uma sociedade justa, digna, harmoniosa! Ministro na Igreja, dádiva para a sociedade o sacerdote é!
Aos irmãos sacerdotes, felicidades pelo dia do Padre!

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