Suprema dádiva, artigo do padre Charles Borg

“Sementes representam felicidade em potencial; flores, felicidade partilhada”! Assim se expressou o poeta americano John Harrigan ao refletir sobre uma experiência bastante difusa no mundo inteiro. Dificilmente, de fato, encontra-se alguém que não tenha, pelo menos uma vez na vida, recebido flores como presente, seja no aniversário, na formatura, no Natal. A flor é esse presente apreciado porque carrega um simbolismo místico que lhe é particular.
Não é necessário ser um botânico formado para entender que flores são geradoras de vidas. Carregam sementes, pólen reprodutor e outros nutrientes que alimentam insetos, abelhas e moscas e que por sua vez vão multiplicando e diversificando vidas jardins afora.

Não bastasse o potencial vital, flores alegram ambientes e ornam espaços. Alimentam afetos! São legítimas geradoras de vidas. Cada espécie possui sua particular beleza e exala seu peculiar perfume! Mesmo entre os exemplares da mesma família, cada flor pode ser definida como única, dependendo do relacionamento que se estabelece com ela. Descortina-se o fascínio da cultura das flores. Dependendo de circunstâncias, cada flor é resumo de histórias únicas, guardiã de íntimos segredos. Embora se assemelha a outros tantos exemplares, esta específica flor é diferente, é especial, porque reaviva sentimentos e rememora situações que são particulares.

A exuberância das flores extrapola a potencialidade reprodutora. Flores guardam reservas medicinais e propriedades terapêuticas. Flores curam. Sua ação terapêutica não se restringe apenas à males físicos, estende-se também a enxugar as lágrimas da alma, a superar ressentimentos e suavizar mágoas. Flores atraem! Sua singela delicadeza enfeitiça, sua apresentação deslumbra e seduz. Razão ampla carrega o ditado caboclo que ensina que se alguém deseja ver borboletas basta que plante flores! Flores harmonizam, agregam, tranquilizam! Geram vida, em suma, e espalham alegria! Emerge o encanto supremo da flor. Tudo nela – formosura, fertilidade, fascínio – está ali para os outros. A flor é suprema dádiva!

Exagero algum comparar as mamães às flores! À semelhança das flores, mamães são geradoras de vidas. Vidas que se multiplicam além do horizonte biológico, diversificando campos e enriquecendo aspectos sem conta da existência humana. Munidas de inesgotável afeto atuam intuitivamente como eficaz remédio contra males físicos e como balsamo suave contra as angustias da alma. Seu particular perfume agrega em comunhão solidária e cúmplice os integrantes da família. Revestidas de inesgotável energia afetiva naturalmente atraem para sua órbita harmoniosa e alegre os que desfrutam de seu convívio. Ornadas de delicadas feições e distinguidas por seu peculiar perfume, conferem ao lar uma identidade tão exclusiva que mesmo quando chega o fim de sua jornada e, à semelhança das flores, fenecem, persiste a mística da sua fragrância. Dádivas supremas são as mamães, felicidade compartilhada!
FELIZ DIA DAS MÃES!

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