Votos, tema do artigo do padre Charles Borg

Desaconselha-se desejar Feliz Natal! Surge, na Europa, movimento propondo trocar os votos de Feliz Natal, por felicitações outras mais neutras, menos religiosas, tipo: Boas Festas. O argumento, por trás da iniciativa pretende evitar desconforto em cidadãos que não se simpatizam com a religião cristã. Considerando que nem todo cidadão professa a fé cristã, desejar Feliz Natal insinua provocação! Usar terminologia neutra, argumenta o movimento, fica politicamente mais correto! No compasso atual de comportamento, não demora para chegar o tempo quando não se poderá falar mais nada, pois em todas as expressões é sempre possível garimpar sentimentos com potencial ofensivo.

Pensando bem, se as pessoas de fato conseguirem ficar mais tempo em silêncio, quem sabe aumentará a probabilidade de os cidadãos pensarem melhor e, possivelmente, passarem a falar menos bobagens! Em países de centenárias tradições cristãs, mesmo entendendo que nem todos comunguem, por igual, a fé, desejar Feliz Natal, certamente não provoca nenhum sentimento ofensivo. Por outro lado, recai sobre os que professam a fé cristã a grave responsabilidade de comprovar que reais motivos há para felicitações, inspirados, sim, em convicções religiosas. É preciso, como exorta o apóstolo Pedro, mostrar que existem razões que justifiquem a esperança cristã.

Na iniciativa solidária de visitar sua parenta Isabel, Maria, a mãe de Jesus, indica sugestiva estratégia de catequese silente sobre a esperança. Por decisão própria, mesmo estando em início de gravidez e em tempos quando viajar era, além de desconfortável, perigoso, Maria, intuindo que sua idosa parenta necessitasse de ajuda por estar em estágio avançando de gravidez, não hesita. Viaja e coloca-se integralmente à disposição de Isabel. Graças a este gesto de solidária atenção, dá-se o primeiro reconhecimento público da presença do Redentor no mundo. Nota-se, Maria não pronuncia nenhuma frase. Nenhuma declaração faz. Atestou a presença do divino Filho, servindo! Jesus marca presença toda vez que se oferece desinteressada atenção ao semelhante, toda vez que se olha o outro com genuíno respeito! Em Jesus, Deus visita o mundo, com o objetivo de mudar os rumos da história. Em Jesus, Deus ensina novamente as pessoas o jeito mais humano e digno de se enxergarem. Cristo é portador de esperança! Ao declarar, posteriormente, que veio ao mundo com a explícita missão de garantir vida abundante a todas as pessoas, Jesus revela o profundo alcance do mistério da Encarnação. Ratifica a razão da esperança.

Urge diferenciar vida abundante de vida boa! Boa vida, geralmente, é consequência de acúmulo egoísta de bens, confortos e poderes. Focada em vaidade, a boa vida, frequentemente, negligencia valores humanitários, pouco caso faz de urgências ecológicas. Boa vida gera disputas, não raramente invejas e traições. Turva olhares, em suma! Proporciona alegria fake! A abundância, na perspectiva de Jesus, ao contrário, não depende de fanfarronices. Seu maior triunfo não reside em exibição de posses, mas privilegia intensidade de propósitos! Vive plenamente quem entende a vida como dom a ser colocado a serviço dos outros. Educa-se a administrar recursos, tanto no campo individual como coletivo, em vista de promover o irmão. Vida boa demanda contínuo abastecimento! Vida plena, abastece! Vive em abundância quem aprende, com Jesus e Maria, a olhar e tratar o outro como gente!

Votos de Feliz Natal, embutem o desejo de as pessoas aprenderem a se olhar mutuamente nos olhos com respeito e reverência! Como Jesus fazia! Antes de provocar desconforto, desejar que os cidadãos se reconheçam abençoados com o nascimento do menino Deus, manifesta o sincero anelo de a humanidade recuperar a paz. Paz que nasce da solidária vida em abundância!

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